Mais uma vez, uma pesquisa eleitoral registrada para o Espírito Santo volta a ser realizada por telefone e coloca o debate sobre metodologia no centro da disputa política. O novo levantamento é do Instituto Veritá, registrado na Justiça Eleitoral sob o número ES-09049/2026, em 22 de abril, com divulgação prevista para 28 de abril. A sondagem mede intenções de voto para os cargos de governador e senador.
O novo registro ocorre logo após a repercussão envolvendo pesquisa anterior do mesmo instituto, também alvo de questionamentos públicos e judiciais no Estado. Entre os principais pontos levantados à época estava a concentração de quase 50% das entrevistas no município de Vitória, capital do Estado e principal reduto eleitoral de Lorenzo Pazolini. Agora, o formato adotado novamente por telefone chama atenção de atores políticos e eleitores, sobretudo em razão de relatos que começaram a circular nas redes sociais sobre a forma de apresentação dos candidatos durante as ligações.
Outro ponto que passou a ser observado por interlocutores políticos é que a realização da nova pesquisa confronta diretamente com o questionário oficialmente registrado junto à Justiça Eleitoral, documento que deve refletir com precisão a metodologia aplicada, a ordem das perguntas e a forma de apresentação das opções aos entrevistados. Quando relatos de campo divergem daquilo que consta no registro público, cresce naturalmente a cobrança por esclarecimentos técnicos e transparência.
Segundo relatos de pessoas que afirmam ter participado da entrevista telefônica, alguns nomes teriam sido apresentados acompanhados dos números tradicionalmente vinculados às suas legendas partidárias. Entre os exemplos citados estão Lorenzo Pazolini com referência ao número 10, ligado ao Republicanos, e Magno Malta com o número 22, associado ao Partido Liberal.
Já em relação ao atual governador Ricardo Ferraço, filiado ao Movimento Democrático Brasileiro, os relatos apontam que ele teria sido o único entre os principais citados sem menção ao número oficial de sua legenda, o 15, sendo apresentado, segundo entrevistados, com a referência 99.
A diferença na forma de identificação chamou atenção de eleitores nas redes sociais e grupos de mensagens, onde surgiram questionamentos sobre o critério adotado e se esse tipo de apresentação poderia interferir na associação imediata feita pelo entrevistado durante a ligação. Em pesquisas telefônicas, especialistas observam que elementos de reconhecimento rápido, como número partidário e familiaridade da legenda, podem influenciar respostas espontâneas ou estimular lembrança automática do eleitor.
Não há, até o momento, manifestação oficial que aponte irregularidade no levantamento. Ainda assim, especialistas em opinião pública observam que a forma como nomes são apresentados em pesquisas pode influenciar a lembrança imediata do entrevistado, especialmente em consultas telefônicas, nas quais a resposta costuma ser rápida e baseada em reconhecimento instantâneo.
Pesquisas eleitorais têm papel relevante no processo democrático ao medir tendências e percepções do eleitorado. Ao mesmo tempo, também impactam o ambiente político ao influenciar cobertura jornalística, atrair apoios partidários, estimular voto útil e consolidar narrativas de favoritismo ou crescimento.
Por isso, técnicos da área alertam que levantamentos precisam ser lidos com cautela. Uma pesquisa representa apenas o retrato de um momento específico, condicionado à metodologia aplicada, ao perfil da amostra e à forma de coleta.
No Espírito Santo, onde a sucessão estadual começa a ganhar ritmo, cresce a cobrança para que institutos, partidos e Justiça Eleitoral assegurem máxima transparência. Em tempos de disputa acirrada, tão importante quanto o resultado apresentado é a confiança pública em como ele foi produzido.






