O Tribunal do Júri concluiu um julgamento de grande repercussão que terminou com a condenação de um réu a mais de vinte e sete anos de reclusão em regime fechado. A sessão, que se estendeu por vários dias no Fórum Criminal localizado na Mata da Praia, foi marcada por uma reviravolta no momento do desfecho, quando o acusado tentou deixar o local antes da leitura oficial da sentença condenatória.
A captura do réu foi realizada prontamente pela Guarda Civil Municipal logo após a sua saída do edifício. Diante da evasão antecipada, autoridades do Ministério Público do Espírito Santo solicitaram a abertura de investigações para apurar se houve vazamento de informações sobre o resultado da deliberação dos jurados antes da proclamação oficial da decisão judicial.
Condenação por feminicídio e reparação financeira
A sentença estabeleceu que o réu cumprirá pena por homicídio qualificado por motivo torpe e feminicídio. Além da sanção privativa de liberdade, a decisão judicial determinou o pagamento de indenização no valor de quinhentos mil reais destinada aos familiares da vítima, acolhendo integralmente o pedido formulado pela acusação durante a instrução processual.
Durante os debates em plenário, os promotores responsáveis pelo caso enfatizaram que o conjunto probatório evidenciava um histórico de relacionamento abusivo, caracterizado pelo controle excessivo e pela violência psicológica imposta à professora. A tese defensiva que tentava classificar o óbito como um acidente foi integralmente rejeitada pelo conselho de sentença.
Dinâmica do crime e investigações
O assassinato ocorreu nas dependências de um apartamento situado no bairro Jardim Camburi, na capital capixaba. De acordo com a denúncia formalizada pelo Ministério Público, o comportamento controlador do agressor incluía o monitoramento digital das comunicações da vítima por meio de clonagem de aplicativos de mensagens.
Na data do fato, o engenheiro ausentou-se do imóvel sob o pretexto de buscar atendimento médico, retornando posteriormente em momentos distintos para simular a busca por pertences pessoais. Registros de câmeras de segurança foram fundamentais para comprovar que nenhuma outra pessoa teve acesso ao local durante o período em que a vítima permaneceu sob o domínio do agressor.
Contexto legislativo e antecedentes
O cálculo da reprimenda penal considerou a legislação vigente à época do crime, uma vez que a tipificação autônoma do feminicídio passou por alterações normativas posteriores. O réu, que havia respondido a parte do processo em liberdade após uma detenção inicial logo após o ocorrido, retornou agora ao sistema prisional para o início do cumprimento da pena definitiva.


