30/03/2023 às 15h37min - Atualizada em 31/03/2023 às 08h01min

Levantamento aponta transtornos relacionados à saúde mental como principais causas de afastamento no trabalho

De acordo com o empresa de saúde corporativa BR MED, 16% dos afastamentos encaminhados ao INSS foram casos de transtornos relacionados à Saúde Mental.

SALA DA NOTÍCIA Annie Lattari
Fabrício Netto, médico do trabalho e Gerente Médico da BR MED
Um levantamento da BR MED, empresa líder no mercado da saúde corporativa no Brasil, aponta os transtornos relacionados à saúde mental como as principais causas de encaminhamentos para concessão de benefícios previdenciários em 2022. Segundo os dados, dos 21.076 atestados médicos avaliados pela empresa no ano passado, 2.445 casos foram encaminhados à Previdência Social. Desses, 392 atendimentos foram relacionados a transtornos mentais, o que equivale a 16% do total.

Os encaminhamentos ao INSS ocorrem quando o colaborador precisa se afastar de suas atividades por um período que ultrapasse 15 dias por conta de doenças, acidente ou lesões. Nesses casos, há concessão de benefício previdenciário. Ou seja, a partir do 16º dia de ausência laboral, a responsabilidade pelo pagamento do salário passa a ser da Previdência Social até que o profissional se recupere de acordo com o período estipulado na licença médica. “Dentre as doenças que geraram mais encaminhamentos em 2022, a ansiedade e depressão foram as mais recorrentes”, declara Fabricio Netto, médico do trabalho e gerente de saúde da BR MED.

De acordo com o médico, as causas para o volume de casos relacionados à saúde mental podem estar presentes no próprio mercado: “A velocidade da informação associada a correria do dia a dia com metas cada vez mais ousadas e a própria competitividade do mercado de trabalho é terreno fértil para surgimento das patologias mentais. Somado a isso, a negligência no autocuidado, hábitos de vida pouco saudáveis, dieta desequilibrada e o sedentarismo corroboram para um gerenciamento de estresse mal sucedido e o consequente surgimento das doenças psiquiátricas”, afirma. 

O levantamento da BR MED é mais uma fonte de dados que corrobora com a urgência dos brasileiros em cuidar da saúde mental. No início de março, o Brasil foi apontado como o terceiro pior índice de saúde mental do mundo, de acordo com o relatório anual do Estado Mental do Mundo, produzido pela organização de pesquisa sem fins lucrativos Sapien Labs. Segundo o estudo, em um ranking com 64 países, estamos à frente apenas do Reino Unido e da África do Sul.

Além dos indicadores de saúde, a preocupação em relação aos transtornos mentais também é presente no âmbito econômico. Afinal, é grande o número de trabalhadores que precisam ser afastados ou que diminuem o rendimento diário devido aos distúrbios. Sobre a necessidade de empresas e funcionários em adotar cuidados com a saúde mental, Fabricio defende que a atenção sobre o tema ultrapassa necessidades individuais e se torna cada vez mais uma pauta corporativa. “Cuidar da saúde mental deve ser prioridade sempre. Não somente quando falamos de autocuidado, mas também quando pensamos nas empresas em relação aos funcionários. Porque um afastamento por um grande período gera impacto não só na vida do colaborador, mas também na economia. Alto custo previdenciário, elevação do absenteísmo e perda de produtividade são algumas dessas consequências”, afirma. “É preciso que a atenção à saúde mental esteja presente entre os funcionários e nas próprias empresas por meio de programas e políticas que visam o bem-estar de todos”, conclui o médico.

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