25/07/2022 às 18h30min - Atualizada em 26/07/2022 às 00h00min

A medicalização da velhice

(*) Ana Paula Weinfurter Lima Coimbra de Oliveira

SALA DA NOTÍCIA NQM
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Divulgação

O dia 26 de julho foi eleito para comemorar o Dia dos Avós e, nessa data, dedicada aos mais importantes integrantes das nossas famílias, há uma importante situação a ser discutida: a medicação na velhice. 

O uso de medicamentos por pessoas idosas, de modo frequente ou contínuo, é uma condição conhecida e muito comentada. Mas é preciso salientar que esse fato expõe os idosos à possibilidade de serem afetados diretamente por erros de prescrição, de dispensação ou mesmo por interações e pelo uso inadequado dos fármacos. 

É preciso compreensão e empatia com as limitações de alguns pacientes desde o atendimento, pois eles podem apresentar sinais de senilidade ou ter baixo grau de instrução, por exemplo. Essas são circunstâncias que impõem a eles dificuldades na compreensão de orientações excessivamente técnicas ou cheias de detalhes a respeito dos medicamentos que precisam utilizar. O profissional de saúde deve direcionar cuidado e atenção especiais e compreender que o atendimento pode exigir algumas particularidades, como ensinar o paciente a elaborar caixinhas com um sol e uma lua para separar os medicamentos a serem tomados de dia e à noite, por exemplo.  

No caso de pacientes que já apresentam alguma falha de memória, há um risco de toxicidade ou superdosagem, que precisa ser considerado, tendo em vista que o paciente idoso pode esquecer-se que já tomou o medicamento em determinado horário. É importante a percepção dessa fragilidade pelo profissional e a anotação de dicas para que o paciente evite tanto esquecer como tomar doses extras desnecessárias dos seus fármacos. 

E, por falar em anotações, para essa população em especial é relevante que as principais orientações sejam encaminhadas por escrito para que possam ser consultadas depois pelo próprio idoso ou por aqueles que cuidam dele. 

Por fim, muitos estudos já demonstraram que os idosos que praticam alguma atividade física, mesmo que não seja de modo regular, apresentam ganhos em qualidade de vida, no aspecto cognitivo, no fortalecimento muscular, entre outros benefícios. 

Pensando em melhorar a autonomia dos nossos idosos e em reduzir a medicalização dessa população (mesmo que apenas na dosagem dos fármacos), que tal nos inteirarmos das políticas públicas que já existem e incentivarmos nossos avós a buscarem uma atividade física? Que possamos aproveitar essa data para refletir e ampliar os cuidados com os nossos idosos nos demais dias. 

(*) Ana Paula Weinfurter Lima Coimbra de Oliveira é farmacêutica, especialista em Citologia Clínica, mestre em Ciências Farmacêuticas e professora de pós-graduação no Centro Universitário Internacional Uninter


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