21/07/2022 às 11h32min - Atualizada em 25/07/2022 às 00h01min

Gestão financeira evita tomada de empréstimos desnecessários a juros altos, diz especialista

Eduardo Luque, sócio-diretor do Grupo IRKO, sugere ações para ajudar empresas brasileiras a manter saúde do negócio em momento de incertezas no cenário econômico e aumento de custos

SALA DA NOTÍCIA Da Redação
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Em um cenário de inflação em alta, incertezas políticas e guerra no leste europeu, os custos de operação de muitas empresas brasileiras tiveram alta expressiva nos últimos meses. Para lidar com o aumento de despesas, muitas delas acabam recorrendo à captação de recursos via empréstimos, que também ficou mais cara com a alta da taxa básica de juros (atualmente em 13,25% ao ano).

“Diante deste contexto, é natural que os financiamentos sejam uma opção óbvia para muitos gestores – e, em alguns casos, é acertada. Antes de fazer novas dívidas, contudo, é importante olhar para dentro da companhia. Uma administração efetiva de receitas e despesas é o primeiro passo para garantir que o negócio tenha capacidade de enfrentar as dificuldades”, afirma Eduardo Luque, sócio-diretor do Grupo IRKO.

Para isso, ele sugere adotar ferramentas de gestão financeira para, primeiro, mapear e entender os números da companhia. Isso permitirá desenhar ações que reduzam despesas ou otimizem custos, além de ajudar a construir um planejamento estratégico de longo prazo.

“Os objetivos devem ser sempre perpetuar o negócio e maximizar os resultados. E isso vale para qualquer momento. Com ou sem crise, é essencial ter conhecimento profundo daquilo que acontece dentro do negócio e do que ainda pode ser feito. Isso ajuda os gestores a preparem, também, a expansão das atividades da companhia”, diz Luque. 

Abaixo, ele lista quatro ações de gestão financeira que podem auxiliar as empresas brasileiras no cenário atual. Confira:

1- Orçamento Base Zero (OBZ)

O Orçamento Base Zero é uma abordagem que parte da redução contínua de custos. Ele não considera receitas, custos, despesas ou investimentos feitos em anos anteriores e, portanto, obriga a empresa a repassar todas as suas estruturas de custo para entender quais são as fundamentais para manter o negócio. 

“O OBZ parte de um papel em branco e possibilita maior agressividade e criatividade para não se acomodar em uma base de custo. É lógico que há custos ligados ao aumento das vendas e, consequentemente, da produção, porém, o OBZ é muito saudável para os custos fixos e para desafiar a empresa a encontrar novas maneiras de baratear os custos de produção, como a busca por novos fornecedores”, detalha o sócio do Grupo IRKO.

2- Estoque e logística

O gerenciamento correto do estoque também é uma boa ferramenta de gestão financeira, uma vez que manter um volume grande de produtos a pronta-entrega pode ter custos altos. Ainda que seja necessário ter um estoque para atender à demanda e ao possível aumento das vendas, é imprescindível considerar os gastos com armazenamento. Luque aponta, inclusive, que um patamar muito elevado de estoque pode ser o responsável pela quebra de um negócio.

Outro desafio é o custo com logística, cujo principal agravante é a volatilidade do câmbio. Agora, combinada ao conflito entre Rússia e Ucrânia, e ao recente lockdown na China, ela elevou ainda mais o preço para exportar e importar produtos. O custo do container para viagens em navios, por exemplo, mais do que triplicou desde 2020. Uma saída para diminuir essa despesa, diz o especialista, é recorrer a fornecedores nacionais.

3- Prazos de pagamento

Outra saída que pode ser adotada a curto prazo para aumentar o capital de giro é a negociação de prazos para o pagamento de fornecedores – aumentar de 60 para 120 dias, por exemplo – e o recebimento das quantias dos clientes – tal como reduzir de 90 para 60 dias. 

“São ajustes que, embora nem sempre sejam possíveis, fazem a diferença no fluxo de caixa. Temos uma tendência das empresas só olharem para o caixa, abrir o extrato bancário e acompanhar o saldo, sem a visão dos números que formam a contabilidade. É importante ter uma visão mais ampla”, diz Luque.

4- Terceirização 

O sócio do Grupo IRKO destaca ainda que há, hoje, uma tendência crescente de terceirização da gestão financeira das companhias, o chamado BPO (Business Process Outsourcing) financeiro. 

“Ter uma empresa especializada responsável por esse departamento auxilia no entendimento da situação real do negócio e a mapear soluções para períodos de crise ou expansão”, diz. 

“Isso porque os profissionais contratados têm a expertise necessária para compreender todo e qualquer número que compõe o balanço da companhia, além de uma visão imparcial da companhia.”

Essa atuação de uma empresa terceirizada com perfil consultivo permite, ainda, que os gestores foquem o core business do negócio.


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