11/07/2022 às 14h22min - Atualizada em 12/07/2022 às 00h10min

Relatório europeu divulga cenário preocupante do uso de drogas na União Europeia  

 Combinação de substâncias provoca debate sobre problemas causados pelo seu consumo; Brasil sai na frente com o exame toxicológico    

SALA DA NOTÍCIA Leticia Rio Branco
www.abtox.org.br

LISBOA, PORTUGAL - O debate em torno das drogas tem se tornado cada vez mais necessário em todo o mundo, principalmente, como forma de prevenção. De acordo com um relatório do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, divulgado em junho de 2022, a disponibilidade e o consumo de droga se mantêm a níveis elevados em toda a União Europeia em todo o ano de 2021, embora existam diferenças consideráveis entre os países.  
Segundo o documento, estima-se que, aproximadamente, 83,4 milhões, ou seja, 29% dos adultos entre 15 e 64 anos da UE tenham alguma vez consumido uma droga ilícita. Destes, o consumo é maior entre os homens (50,5 milhões) em relação às mulheres (33 milhões). Entre as substâncias mais consumidas, a canabis continua no topo da lista, com mais de 22 milhões de usuários europeus somente no último ano. Os estimulantes são a segunda categoria indicada com maior frequência de consumo. Estima-se que, ainda no último ano, 3,5 milhões de adultos tenham consumido cocaína, 2,6 milhões de MDMA e 2 milhões de anfetaminas.  

O relatório também mostra que cerca de 1 milhão de europeus consumiram heroína ou outro opiáceo ilícito no mesmo período. Embora a prevalência do consumo de opiáceos seja inferior a de outras drogas, eles continuam a representar a maior parte dos danos atribuídos ao consumo de drogas ilícitas. Isso é ilustrado pela presença de opiáceos que, em combinação com outras substâncias, tenham causado cerca de três quartos das overdoses fatais na União Europeia, em 2020.  

Além disso, o documento revela que a maioria das pessoas com problemas relacionados a drogas consome uma série de substâncias, o que torna o debate ainda mais essencial para tratar de problemas de saúde mental e danos próprios, além da falta de habitação, a criminalidade juvenil, a exploração de pessoas e comunidades vulneráveis. 

Diante deste cenário, prevenir é a única maneira de colaborar com a diminuição do uso de drogas. No Brasil, o exame toxicológico sai na frente e comprova que se trata de uma ação capaz de diminuir o consumo das drogas, já que é exigido por lei para motoristas das categorias C, D e E desde 2016. Além de obrigatório para o exercício de várias outras profissões e concursos públicos. 

“Entre março de 2016 e dezembro de 2021, desapareceram do mercado 4 milhões de condutores das categorias C, D e E. Quando historicamente, entre 2011 e 2015, o crescimento médio anual era de 2,8%. “Um fato sem precedentes no trânsito brasileiro, indício de que muitos motoristas usuários de drogas evitaram o exame porque o seu resultado daria positivo”, observa Rodolfo Rizzotto, coordenador do SOS Estradas, que assistiu a apresentação do relatório no dia 14 de junho. 

Renato Borges Dias, presidente da Associação Brasileira de Toxicologia (ABTox), explica que o exame toxicológico de larga janela de detecção consegue identificar a presença de substâncias psicoativas que se depositam nos fios de cabelo ou nos pelos do corpo por um período mínimo de 90 dias até seis meses, permitindo a avaliação de hábitos de consumo dessas substâncias pelo doador. “Através da análise laboratorial da queratina, com a coleta de cabelos, pelos ou unhas, é possível identificar o uso frequente de drogas nos últimos 90 e até 180 dias. Ou seja, todos os motoristas que estão habilitados nessas categorias devem fazer o exame toxicológico periódico a cada dois anos e seis meses”.  

Rizzotto afirma ainda que o Brasil está utilizando uma estratégia de prevenção mais eficiente do que a Europa, que vive um momento de aumento do consumo, acompanhado de baixo índice de recuperação, surgimento de novas drogas e laboratórios clandestinos. “Os modelos tradicionais utilizados no combate às drogas não estão funcionando. O Brasil buscou um caminho diferente, focado na prevenção, desestimulando o consumo na medida em que impede a pessoa de realizar trabalhos que coloquem vidas em risco. Conforme enfatizei, em recente congresso de Toxicologia em Verona (Itália),  é o melhor exemplo de política bem-sucedida, sem custo para o Estado, aplicada atualmente no mundo”, finaliza.  

 
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