Descubra se o flúor na água faz mal a saúde. Conheça os efeitos, benefícios e riscos para sua saúde em nosso artigo.
A fluoretação da água é um tema que gera debates no Brasil há décadas. Desde os anos 1950, o flúor é adicionado ao abastecimento público com o objetivo de reduzir cáries. Dados da Funasa mostram que essa prática diminuiu os casos em 65%.
A concentração ideal, estabelecida pela OMS e Ministério da Saúde, varia entre 0,6 e 0,8 mg/L. Essa quantidade é considerada segura e eficaz para a prevenção de problemas dentários.
Estudos recentes, como os publicados no JAMA Pediatrics e JAMA Network Open, reforçam esses benefícios.
O único efeito adverso comprovado é a fluorose dentária, que ocorre apenas com o consumo excessivo durante a formação dos dentes. Autoridades como o CFO e o CROSP defendem a fluoretação como uma medida de saúde pública essencial.
Ainda assim, algumas pessoas buscam alternativas e desejam saber como tirar flúor da água para beber, seja por preferência pessoal, preocupações específicas ou escolhas baseadas em outros estudos.
Este artigo analisa as evidências científicas e esclarece dúvidas sobre o tema, oferecendo uma visão equilibrada e informada.
O que é flúor e como ele age na saúde bucal?
Presente na natureza, o flúor desempenha um papel crucial na proteção dos dentes. Esse mineral, encontrado na forma de fluoreto, é amplamente utilizado na odontologia para fortalecer o esmalte e prevenir problemas como cáries.
O papel do flúor na prevenção de cáries
A formação de cáries ocorre quando bactérias na boca metabolizam açúcares, produzindo ácidos que desmineralizam o esmalte dental.
O flúor age de três maneiras principais: reforça o esmalte durante a formação dos dentes, promove a remineralização de microlesões e inibe o metabolismo das bactérias causadoras de cáries.
Como a fluoretação da água fortalece os dentes
A fluoretação da água é uma prática eficaz e segura, recomendada pela OMS. Ela ajuda a prevenir cáries em nível populacional, complementando o uso individual de pastas fluoretadas.
No Brasil, a Sabesp mantém a concentração ideal de 0,6 a 0,8 mg/L desde 1974, garantindo benefícios para a saúde bucal.
Além disso, a pasta de dente com flúor foi incluída na lista de medicamentos essenciais da ONU em 2021, reforçando sua importância na prevenção de problemas dentários.
Essa combinação de medidas individuais e coletivas tem reduzido significativamente os casos de cáries em todo o mundo.
Flúor na água faz mal a saúde? Separando mitos e fatos
Mitos e fatos sobre o fluoreto na água geram debates em diversos países. Enquanto alguns questionam sua segurança, a maioria das evidências científicas apoia sua eficácia e baixo risco para a população.
O consenso científico sobre a segurança do fluoreto
Mais de 75 organizações internacionais, incluindo a OMS e o CDC dos Estados Unidos, defendem a fluoretação como uma medida essencial de saúde pública.
A revisão da OMS em 2023 confirmou que não há evidências de câncer ou malformações associadas ao uso controlado.
No Brasil, o sistema de vigilância da Funasa ajusta a concentração para garantir que os níveis permaneçam entre 0,6 e 0,8 mg/L, considerados seguros.
Além disso, 90% do fluoreto ingerido é excretado pelo organismo, conforme estudos da PUCPR.
Estudos controversos e suas limitações
Algumas pesquisas, como o estudo do JAMA Pediatrics de 2019, sugerem possíveis riscos. No entanto, especialistas apontam falhas metodológicas, como amostras pequenas e fatores não controlados, que limitam a confiabilidade dos resultados.
Outro mito comum é a associação com redução de QI ou doenças como Alzheimer. Essas alegações carecem de evidências sólidas e são desmentidas por revisões científicas amplas.
Por fim, a fluorose esquelética, uma condição rara, ocorre apenas com o consumo excessivo, muito acima dos níveis recomendados.
No contexto brasileiro, essa doença é praticamente inexistente devido ao controle rigoroso da concentração.
Benefícios comprovados do flúor na água
A adição controlada de fluoreto ao abastecimento público traz benefícios comprovados para a saúde bucal.
Essa prática, adotada no Brasil desde 1974, é reconhecida por sua eficácia na prevenção de cáries e no fortalecimento do esmalte dentário.
Redução de cáries: dados do Brasil e do mundo
Segundo o levantamento SB Brasil, áreas com fluoretação apresentaram uma redução de 65% nos casos de cáries.
No mundo, países que adotaram essa medida, como os Estados Unidos, também registraram quedas significativas nos índices de problemas dentários.
No Brasil, a região Sul lidera com 80,5% de cobertura, enquanto o Nordeste tem apenas 14,8%. Essa desigualdade regional impacta diretamente a saúde bucal da população, especialmente em comunidades vulneráveis.
Por que a OMS e o Ministério da Saúde apoiam a fluoretação?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde brasileiro defendem a fluoretação como uma medida essencial de saúde pública.
Estudos mostram que, para cada R$1 investido, há uma economia de R$150 em tratamentos odontológicos.
Além disso, a fluoretação é uma política de baixo custo, com um investimento de apenas R$1 por habitante ao ano. Isso torna a medida acessível e altamente eficiente para a prevenção de cáries severas.
Fluoretação como política de saúde pública
A Lei 6.050/1974 tornou obrigatória a fluoretação no Brasil, garantindo benefícios para milhões de pessoas. Em São Paulo, por exemplo, a Sabesp atende mais de 4 milhões de habitantes com água fluoretada.
Essa política não só reduz a incidência de cáries, mas também diminui a desigualdade no acesso à saúde bucal. A Funasa monitora a concentração de fluoreto para garantir que os níveis permaneçam seguros e eficazes.
Com um alto custo-benefício, a fluoretação é uma estratégia essencial para a promoção da saúde pública e a prevenção de problemas dentários em larga escala.
Riscos associados ao excesso de flúor
O uso adequado de fluoreto é essencial, mas o excesso pode trazer riscos à saúde. A fluorose dentária e esquelética são os principais problemas associados à alta concentração desse mineral.
Além disso, a intoxicação aguda, embora rara, exige atenção e cuidados específicos.
Fluorose dentária: causas e graus de severidade
A fluorose dentária ocorre quando há ingestão excessiva durante a formação dos dentes, principalmente em crianças menores de 8 anos. Essa condição pode variar de linhas brancas quase imperceptíveis até manchas escuras e esmalte poroso.
No Brasil, apenas 1,8% da população apresenta fluorose em níveis estéticos, segundo o CECOL. A prevenção inclui supervisão na escovação infantil e evitar pastas saborizadas, que aumentam o risco de ingestão acidental.
Intoxicação aguda e fluorose esquelética
A intoxicação aguda é rara e geralmente está ligada a acidentes industriais, não ao consumo de água tratada.
A dose letal é de 5 mg/kg, equivalente a 3,5 litros de água para um adulto. Sintomas incluem náuseas, dores abdominais e, em casos graves, convulsões.
Já a fluorose esquelética, uma condição rara no Brasil, ocorre com o consumo prolongado de altas concentrações. Ela afeta os ossos, causando rigidez e dor.
Cidades como Poços de Caldas, com água naturalmente fluoretada, exigem monitoramento rigoroso para evitar esses riscos.
Protocolos de emergência, como lavagem gástrica e uso de cálcio, são essenciais em casos de intoxicação aguda. A prevenção, aliada à supervisão médica, garante a segurança no uso do fluoreto.
Quando o flúor começou a ser usado no Brasil?
No Brasil, a introdução do fluoreto na água teve início em 1953, com uma experiência pioneira no Espírito Santo.
Na cidade de Baixo Guandu, os primeiros testes mostraram resultados positivos em apenas cinco anos, reduzindo significativamente os casos de cáries.
Na década de 1950, o país enfrentava uma epidemia de problemas dentários. A saúde coletiva estava em risco, e a fluoretação surgiu como uma solução eficaz. Essa política pública foi um marco na história da odontologia brasileira.
Em 1974, a Lei 6050 tornou obrigatória a fluoretação em todo o território nacional. A regulamentação foi consolidada em 1975, com a Portaria 635, garantindo padrões seguros e eficazes. Essa medida transformou a saúde bucal do país.
A expansão geográfica ocorreu gradualmente. Década após década, mais cidades adotaram a prática. Em 2015, 76% da população já tinha acesso à água fluoretada. Santos, em São Paulo, foi a primeira grande cidade a implementar o sistema.
Os dados epidemiológicos mostram uma queda expressiva no índice CPO (dentes cariados, perdidos e obturados).
Entre 1986 e 2003, o número médio de cáries em crianças caiu de 6,7 para 2,8 dentes. Esses resultados reforçam a importância da cronologia dessa política.
O Plano Nacional de Saúde Bucal 2030 projeta metas ambiciosas. O objetivo é ampliar a cobertura e reduzir ainda mais as desigualdades regionais.
A fluoretação continua sendo uma estratégia essencial para a saúde coletiva no Brasil.
Cuidados práticos com o flúor no dia a dia
Manter uma rotina de higiene bucal eficaz é essencial para aproveitar os benefícios do flúor sem riscos. Para crianças, a quantidade ideal de pasta dental deve ser equivalente a um grão de feijão, evitando ingestão excessiva.
Escolher produtos com concentração adequada, acima de 1000 ppm, garante a eficácia na prevenção de cáries.
Filtros de osmose reversa podem remover até 90% do flúor da água. Se você utiliza esse sistema, é importante buscar orientações de um dentista para garantir a reposição necessária.
Além disso, evite produtos “flúor free”, que não possuem eficácia comprovada.
Alimentos como espinafre e peixes, além de chás como mate e preto, são fontes naturais de flúor. Consumi-los com moderação pode complementar a higiene bucal.
Acompanhamento odontológico desde o primeiro dente é fundamental para garantir a segurança e a saúde bucal das crianças.