Casagrande - Eleições 2024 Cachoeiro

A mão do Palácio Anchieta e o peso nas definições de candidaturas em Cachoeiro

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Por Wanderson Amorim

O imbróglio sobre as definições em torno dos nomes que irão disputar a prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim, nas eleições 2024, parece mais um filme de suspense no maior colégio eleitoral do Sul do Espírito Santo.

O peso do apoio do Palácio Anchieta, na pessoa do governador Renato Casagrande (PSB), pode forçar definições talvez não esperadas, ou até mesmo podemos dizer esperadas, já que política é como nuvem, muda toda hora de lugar.

Onde quero chegar? No acordo entre o trio Allan Ferreira (Podemos), Bruno Resende (União Brasil) e Diego Libardi (Republicanos) que publicamente assumiram o compromisso de escolher o melhor nome posicionado entre eles para disputa na “Capital Secreta”.

Casagrande já teve duas reuniões com os deputados Allan Ferreira e Bruno Resende, que fazem parte de sua base de apoio. O ponto “X” da questão é o nome de Diego Libardi. O governador foi incisivo em dizer que não vai apoiar o pré-candidato do Republicanos e que são bem-vindos os nomes de Allan e Bruno.

É questão de honra para Casagrande que o candidato apoiado por ele ganhe em Cachoeiro de Itapemirim, cidade em que foi derrotado nas urnas em 2022, em sua reeleição, quando obteve 41,9% dos votos válidos, enquanto seu opositor, Carlos Manato (PL), teve 58,1%.

O prefeito Victor Coelho (PSB), principal aliado do governador em Cachoeiro, tem preferência pelo nome da secretária municipal de Obras, Lorena Vasques (PSB), para sua sucessão. Mas recente pesquisa mostra que está mal pontuada e com grande rejeição, perdendo apenas para o pré-candidato a prefeito pelo PT, Carlos Casteglione.

Victor, ao lado de Lorena, tem muitas entregas para fazer até o período de convenções em julho e os números até lá precisam melhorar para que a “super secretária” chegue ao pleito com chances reais de vitória. Hoje, a realidade é outra!

Divisão do grupo de aliados

Uma possível divisão do grupo de aliados de Casagrande é uma grande preocupação para o Palácio Anchieta, já que numa eventual vitória de Diego Libardi, Casagrande, que deve disputar vaga para o Senado em 2026, teria dificuldades para caminhar em Cachoeiro.

Quem também teria problemas de caminhada na Capital Secreta é o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), filho do deputado estadual Theodorico Ferraço (PP), que não pode ver Libardi nem pintado de ouro. Ricardo, é de conhecimento de todos que acompanham os bastidores da política, está de olho em 2026.

Manter acordo com chance de crescer?

A grande pergunta que fica é: como abrir mão da disputa um pré-candidato que aparece empatado em pesquisa eleitoral e que tem chance de crescer ao longo da campanha política?

Allan Ferreira apareceu poucos pontos na frente de Diego Libardi em recente pesquisa, mas empatados tecnicamente. Tanto Ferreira como Libardi podem crescer nessa pré-campanha. O que se desenha são disputas opostas e uma possível polarização entre os dois.

Diego já se comporta como candidato do Republicanos e a mídia já deixou isso evidente em recentes publicações.

Bruno Resende, que ficou mal pontuado nas pesquisas, não deve disputar as eleições e pende mais para o lado do ex-secretário de Cidadania de Vitória do que para o lado de Allan.

Marinheiro de primeira viajem na política, Bruno vai para o tudo ou nada em apoio a Diego? Digo tudo ou nada porque tem interesse em ser deputado federal em 2026. Numa derrota de Libardi e contra o Palácio Anchieta, teria muita dificuldade para disputar uma das cadeiras da Câmara Federal.

Um possível apoio de Allan a Diego também pode atrapalhar os passos políticos do deputado estadual de primeiro mandato, que está em ascensão. Lembrando que ele conseguiu sua vitória com apoio de Victor Coelho em 2022.

Ferreira, numa derrota de Libardi, e contra os interesses do Palácio Anchieta onde hoje se mostra aliado de primeira hora, teria que trabalhar de forma solo e mostrar muito serviço para tentar uma reeleição de sucesso em 2026. De sua capacidade ninguém pode duvidar, pois mostrou que é bom de voto nas últimas eleições, mas contra o governo tudo é mais difícil.

E Marcelo Santos?

Marcelo Santos (Podemos) está com Allan Ferreira, é seu principal cabo eleitoral em Cachoeiro, colocou ao menos cinco partidos a sua disposição e estará onde ele estiver, mesmo que sua opção seja apoiar Diego Libardi contra os interesses de Casagrande.

Favorável para Allan?

Existe muita expectativa de que nos próximos dias o “trio parada dura” se manifeste sobre quem de fato será candidato no pleito de 2024.

Parece pouco provável que Diego caminhe em apoio a Allan, pois não tem nada a perder, já se desvinculou da Secretaria de Cidadania de Vitória e não possui mandado. Se perder, seria a eleição, mas isso só as urnas vão dizer em outubro vindouro.

Se decidir seguir para a disputa, Allan tem a seu favor o Palácio Anchieta, mesmo com Lorena no páreo. E se lá em julho o PSB de Cachoeiro perceber que sua pré-candidata pode não decolar? Poderá sim o partido do governador, junto com a máquina municipal, embarcar em peso na campanha de Ferreira. De quebra, poderá ainda atrair Ferraço e seu filho Ricardo, com o PP e MDB, como aliados, respectivamente. Seria um blocão contra Libardi – este principalmente -, Carlos Casteglione e Léo Camargo (PL).

Em resumo, tudo isso que foi posto passa pelas eleições de 2026.

Como já disse, política é como nuvem, muda toda hora. É aguardar os próximos capítulos que devem ser cheios de surpresas, ou nem tanto assim. E essa semana tem nova rodada de pesquisas com registro no TSE. Até já!

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