Levantamento indica sobrecarga na gestão de infraestrutura

Levantamento indica sobrecarga na gestão de infraestrutura

Notícias Corporativas

Um levantamento com mais de 300 gestores de Facilities indica que profissionais responsáveis pela gestão de infraestrutura operam sob alta pressão e com baixa visibilidade dentro das organizações, apesar do impacto direto de suas decisões sobre a operação e os resultados das empresas.

Os dados fazem parte do relatório "O Estado das Operações de FM 2026", apresentado durante o IFM Summit São Paulo, que reuniu mais de 600 profissionais de Facilities e Operações, representando cerca de 300 empresas.

Sobrecarga operacional limita planejamento

Segundo o estudo, a rotina desses profissionais ainda é dominada pela operação. Hoje, 78% priorizam eficiência operacional, enquanto o tempo dedicado ao planejamento estratégico permanece limitado.

"Isso mantém a área em um modelo reativo, focado em resolver problemas, e não em evitá-los", afirma Scheila Silveira, gerente de Marketing da Infraspeak.

Apesar disso, o perfil dos profissionais revela alto nível de responsabilidade. Segundo o levantamento, 75% ocupam cargos de liderança, 55% têm mais de 10 anos de experiência e 44% gerenciam mais de 20 instalações. Ainda assim, a área é frequentemente percebida como operacional, e não como parte central das decisões estratégicas.

"Muitas operações corporativas dependem diretamente da confiabilidade de infraestrutura, manutenção e serviços", explica Rafael Elias, coordenador da comunidade Inside Facilities Management (IFM). "O objetivo é ampliar a visibilidade sobre o papel dessas equipes", acrescenta.

Desafios vão além da técnica

Em empresas com grande presença física, como redes de varejo ou operações logísticas, falhas de infraestrutura podem interromper operações e gerar impactos financeiros relevantes. Ainda assim, o levantamento indica que muitos desses riscos continuam sendo geridos com baixa visibilidade de dados e processos pouco estruturados.

O estudo também aponta que parte relevante dos problemas operacionais está relacionada à comunicação entre equipes, fornecedores e áreas internas. De acordo com os dados, 48% dos atrasos estão ligados a falhas de comunicação, enquanto 74% das organizações não reconhecem esse impacto. Isso indica que, além da gestão técnica, a eficiência depende da capacidade de coordenação entre diferentes atores da operação.

Movimento de profissionalização

A ampliação da complexidade operacional e o aumento do uso de tecnologia têm impulsionado a profissionalização da área. O tema esteve no centro das discussões do IFM Summit São Paulo, organizado pela comunidade Inside Facilities Management (IFM), que reúne profissionais responsáveis por operações físicas em diferentes setores.

A programação incluiu debates sobre gestão de ativos, digitalização das operações, uso de dados e novos modelos de gestão. "O objetivo é dar visibilidade a uma área que é essencial para o funcionamento das empresas, mas ainda pouco compreendida fora da operação", ressalta Rafael Elias, coordenador da comunidade IFM na América Latina.

Além do evento, a comunidade IFM tem ampliado iniciativas voltadas ao desenvolvimento da área, incluindo conteúdos especializados, encontros regionais e ações de reconhecimento profissional. Entre as iniciativas está o pré-lançamento do livro "Torne-se um gestor de facilities estratégico", com acesso gratuito ao primeiro capítulo. A obra reúne orientações práticas para sair do modelo reativo e assumir um papel mais decisor.