No ano que antecede as eleições, as pesquisas de intenção de voto não precisam ser registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A legislação permite que, fora do período eleitoral, institutos e veículos de comunicação realizem e divulguem levantamentos livremente, sem necessidade de seguir os protocolos formais exigidos durante o pleito.
Essa liberdade, no entanto, tem sido utilizada por alguns grupos de forma questionável. Segundo observadores do cenário político capixaba, a divulgação de pesquisas com resultados conflitantes e discrepantes vem se tornando prática recorrente, especialmente quando envolvem determinados candidatos e veículos de comunicação.
Em junho deste ano, a Paraná Pesquisa, instituto de renome nacional, em parceria com a CNN Brasil, um grande veículo de comunicação do país, publicou uma pesquisa mostrando o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) tecnicamente empatado com o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), indicando crescimento gradual do candidato apoiado pelo Palácio Anchieta.
Cerca de vinte dias depois, um veículo de comunicação local divulgou números completamente diferentes, apontando o prefeito de Vitória com ampla vantagem e percentuais considerados fora da realidade por analistas.
No início de outubro, outro levantamento, feito pelo Instituto Real Time Big Data, um dos maiores institutos do Brasil novamente em parceria com a CNN Brasil, voltou a registrar empate técnico entre Ferraço e Pazolini — desta vez, com leve crescimento do vice-governador. Poucos dias depois, o mesmo veículo capixaba voltou a publicar pesquisa atribuída ao mesmo instituto, mas novamente com resultados destoantes, mostrando o prefeito com larga liderança.
A divergência acentuada entre os números divulgados por esse veículo e aqueles apresentados por outros institutos tem levantado suspeitas sobre a credibilidade das pesquisas e a forma como vêm sendo utilizadas.
De acordo com especialistas, é comum que existam variações entre levantamentos, já que cada instituto adota metodologias próprias. No entanto, discrepâncias significativas, fora das margens estatísticas aceitáveis, podem indicar direcionamento ou manipulação.
Para analistas políticos, a situação acende um alerta sobre o uso de pesquisas como instrumento de influência. “No meio político, é uma estratégia conhecida: quando falta compromisso com a ética e a verdade, vale tudo. Inclusive, usar números fabricados para tentar moldar a opinião pública”, comenta um consultor ouvido pela reportagem.
Enquanto não há exigência legal de registro das pesquisas fora do período eleitoral, a responsabilidade sobre a veracidade dos dados e a transparência metodológica permanece inteiramente nas mãos dos institutos e dos veículos que as publicam.





