Foram 30 anos de estudos e pesquisas sobre o estado psicológico dos veterinários e o resultado é assustador: a taxa de suicídio é 3,5 vezes maior entre essa classe do que entre outros profissionais. Os dados são resultado do longo material publicado na Journal of the American Veterinary Medical Association (JAVMA) – revista científica conceituada na área. 

A pesquisa divulgou ainda que a jornada exacerbada, a pressão diária e as eutanásias realizadas são os principais motivos do esgotamento desses médicos. Para a veterinária Luana Sartori, especialista da Nutrire, a situação é alarmante e precisa de ações urgentes para minimizar esses riscos.

“Há uma imensa dificuldade em separar o lado pessoal do profissional e isso ocorre para grande parte dos profissionais, visto que a rotina envolve vidas que nem sempre podem ser salvas, procedimentos de eutanásia extremamente dolorosos e uma necessidade urgente de qualidade na gestão das emoções”, conta.

Pesquisas também divulgam que os veterinários possuem o risco quatro vezes maior do que a população em geral de tirarem a própria vida. “Fala-se pouco sobre esse assunto por conta do tabu que o envolve, mas é muito importante alertar esses profissionais e seus familiares para que busquem acompanhamento psicológico mesmo que não haja sinais de depressão”, indica. 

A pressão sofrida nas clínicas de atendimento é uma mola propulsora para a depressão e suas consequências. “Nos formamos na esperança de fazer o bem e garantir saúde e harmonia para os animais, mas somos tomados por outra realidade. Além de todo sofrimento do abandono que muitos sofrem, ainda existe a impossibilidade de salvar muitos deles, seja por falta de estrutura, pela doença acometida ou por um atendimento tardio”, conta.

Luana é a favor do tratamento psicológico para os profissionais que lidam com perdas de vidas o tempo inteiro. “Pode parecer um ambiente seguro no início, mas as frustrações apresentarão suas consequências mais cedo ou mais tarde. Aliás, todos os profissionais que trabalham com vidas deveriam ter esse reforço de um especialista psicólogo ou psiquiatra”, revela.

A pergunta é: o que pode ser feito para diminuir esses riscos de suicídio entre a classe profissional? A especialista acredita que, além da terapia ininterrupta, a ajuda dos colegas é fundamental. “Se você tem um amigo veterinário ou mesmo um colega que aparenta estar deprimido, ajude-o, esteja atento e faça algo antes do perigo se tornar iminente. Converse, dialogue com os médicos conhecidos e aconselhe a busca por um tratamento que torne a rotina mais leve”, aconselha.

Conviver com animais que estão em sofrimento não é fácil. Além disso, os tutores sofrem junto e também dependem do conforto que o veterinários podem dar em alguns casos. “Os profissionais que atuam nas clínicas devem prestar ajuda não apenas para o pet, mas para seus tutores, isso é fundamental. No entanto, nem sempre é uma tarefa fácil, pois alguns casos não tem solução. A frustração é sempre dupla: não conseguir salvar o animal e ver a decepção de quem perdeu seu melhor amigo”, explica Luana.

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